sábado, 22 de setembro de 2007

Aula 2 - Agroecossistemas de Base Ecológica


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Desenho esquemático de um contexto - Maciel

Desenho esquemático de um determinado grupo camponês, em um contexto histórico, espaço de múltiplas determinações e produção de representações sociais



Desenho esquemático de uma superfície contextual, onde "n" propriedade agrícolas se relacionam em um determinado território que, por sua natureza, pode ser diferente dos limites políticos municipais e também de microbacias hidrográficas. Tendo a cooperativa como centro de organização, decisão, articulação e planejamento.


Desenho esquemático de uma propriedade agroecológica com seus sistemas produtivos e a entrada e a saída de energia (trabalho, insumos, produtos, alimentos, máquinas e equipamentos, etc.)








Esquema de uma propriedade numa visão sistêmica - Menezes

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Compreendendo diferentes agriculturas

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COMPREENDENDO DIFERENTES AGRICULTURAS
Tradicional
•Atividade agrícola é resultado cultura e história agricultor;
•Limitações geográficas e ecológicas determinam a cultura local, que por sua vez influencia no tipo de agricultura desenvolvida, resultante de um contínuo processo histórico de interações entre o homem e a natureza (recursos locais).
Características básicas
Evolução biológica e cultural;
Acumulação experiências através várias gerações;
Agricultura comunitária;
Ausência insumos externos;
Criação sistemas produção por inovação e adaptação;
Base ecológica, social e econômica adequadas;
Visão holística da agricultura;
Diversificação espécies: <> estabilidade.

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CONVENCIONAL
Referência - paradigma científico cartesiano;
Uma revolução que se dizia verde;
O ensino. a pesquisa e a extensão na visão fragmentada do conhecimento;
Características básicas
Ações tecnicistas;
Sistemas produção orientados pacotes tecnológicos;
Mecanização e uso intensivo do solo;
Matriz energética petróleo;
Balanço energético muito desfavorável;
Uso elevado insumos externos;
Elevado nível de dependência;
Uso intensivo de capital;
Produção para mercado externo;
Agroecossistemas pouco estáveis e resilientes.

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CONSERVACIONISTA
•Racionalizar uso máquinas, implementos, mão-de-obra;
•Minimizar perdas solo e água;
•Reduzir custos ambientais.
Características básicas
•Ações interdisciplinares;
•Uso mais eficiente dos recursos naturais;
•Balanço energético mais equilibrado;
•Nível de dependência elevado;
•Uso intensivo de capital;
•Cultivos de exportação;
•Controle erosão;
•Redução perdas carbono.

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SUSTENTÁVEL DE BAIXO USO INSUMOS EXTERNOS (ASBIE)
Premissas Básicas
•Dificuldade acesso crédito rural;
•Baixa aptidão agrícola terras;
•Acesso limitado aos insumos externos;
•Ameaças sociais e ecológicas da revolução verde;
•Riscos dependência matriz energética petróleo
Princípios Ecológicos Básicos
•Assegurar condições solo favoráveis aos cultivos;
•Otimizar a disponibilidade/ equilíbrio nutrientes;
•Minimizar perdas ocasionadas p/ sol, água, vento:
•Minimizar perdas animais, plantas provocadas por pragas e doenças;
•Explorar efeitos complementaridade e sinergia:

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DE BASE ECOLÓGICA
•Agroecologia,
•agricultura familiar;
• produção alimentos;
• visão holística do agroecossistema;
•recursos gerados internamente;
•valorização do conhecimento local;
•integração de saberes;
•produtividade com preservação ambiental.

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PRINCÍPIOS BÁSICOS
•Princípio da Saúde: sustentação e melhoria da saúde do solo, planta, animais, seres humanos e planeta
•Princípio da Ecologia: fundamentos em sistemas e ciclos ecológicos vivos que trabalham, se organizam, se sustentam mutuamente;
•Princípio da Justiça/Imparcialidade: construir relação que assegure justiça e atenção ao meio ambiente e oportunidades da vida;
•Princípio da Proteção/Responsabilidade: atividade agrícola precisa ser desenvolvida com precaução e responsabilidade, de modo a proteger a saúde e assegurar o bem estar da geração atual e futura e do ambiente

(Adaptado de IFOAM, 2007)
AGROECOSSISTEMAS DE BASE ECOLÓGICA
Conhecimento Científico COM Experiências Agricultores

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AGRICULTURA SUSTENTÁVEL
A sustentabilidade é uma propriedade que emerge das relações existentes entre atributos que se manifestam em agroecossistemas de base ecológica e que se manifesta a partir da ação coletiva de características como:
•Balanço energético equilibrado;
•Preservação recursos naturais;
•Produtividade longo prazo;
•Mínimo impacto ambiental;
•Aproveitamento recursos internos;
•Garantia equidade social;
•Satisfação necessidades agricultor;
•Valorização conhecimento local;
•Visão holística do agroecossistema.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Texto 5 - Agroecologia e saber ambiental


Artigo: Agroecologia e saber ambiental


LEFF, Henrique*. Agroecologia e saber ambiental** . In: Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustententável, Porto Alegre, v.3, n.1, jan./mar., 2002.


Palavras-chave: Agroecologia, Desenvolvimento- Rural Sustentável - Saber ambiental.
*O autor é Coordenador da Rede de Formação Ambiental para a América Latina e Caribe, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA. ** Texto apresentado ao II Seminário Internacional sobre Agroecologia, Porto Alegre, 26 a 28 de novembro de 2001. Traduzido ao português por Francisco Roberto Caporal, em janeiro de 2002. O original, em espanhol, está disponível em http://www.emater.tche.br/.

1. O Renascimento do Ser no Concerto do Saber
A Agroecologia foi definida como um novo paradigma produtivo, como uma constelação de ciências, técnicas e práticas para uma produção ecologicamente sustentável, no campo. Neste Seminário, que congrega os mestres destas novas artes e ofícios, e eu não sendo o que conduz o arado, quem, com seu arado, remove a terra e planta a nova semente, que dirige um olhar ao caldeirão no qual se fundem e se amalgamam os conhecimentos que promovem esta mudança de paradigma, sobre o próprio sentido do saber agroecológico. Porque, mais que poder instrumental, no concerto destes saberes se joga o renascimento do ser: da natureza, da produção, do agrônomo, do cientista, do técnico, do camponês e do indígena; a reconstrução do ser que finda sobre novas bases o sentido da produção e abre as vias a um futuro sustentável.
Hoje, esta confraria de mestres da Agroecologia, reunidos neste cenário, se congrega para a plantação de uma nova semente, mas também para avaliar os resultados de suas recentes colheitas. É um ritual que nos faz recordar aquele momento da maior glória das artes e ofícios no início do Renascimento, que ficou plasmado na história da arte da ópera pelos Mestres Cantores de Nuremberg, de Wagner. As práticas agroecológicas nos remetem à recuperação dos saberes tradicionais, a um passado no qual o humano era dono do seu saber, a um tempo em que seu saber marcava um lugar no mundo e um sentido da existência... como sapateiros, alfaiates ou ferreiros; como músicos e poetas. À época dos saberes próprios. Hoje, neste lugar, neste conclave de artífices da agroecologia, aparece novamente na cena um Ignacy Sachs, interpretando o sapateiro-poeta Hans Sachs; o mestre que joga com as regras da formação econômica e das formas musicais do pensamento para enriquecer a tradição econômica com a inovação do ecodesenvolvimento. Participam neste evento: Toledo, poeta da etnobiologia, e Altieri, mestre fundador das ciências e técnicas da Agroecologia; e o amalgamador Gliessman, o ferreiro Sevilla. Aqui estão os peleteiros e os alfaiates, que confeccionam o tecido do novo saber praticando suas artes e ofícios, todos escritores, aprendizes e mestres cantores, todos forjadores do novo paradigma1. Todos representantes daquele Walter, cavaleiro de Franconia, que, deslindando-se e transcendendo seus títulos de nobreza das ciências normais, postulam a magia das palavras e a alquimia da poesia para repensar o mundo e suas práticas; para fazer terra em um mundo em reconstrução. Talvez, neste certame, o prêmio ao poeta-cantor não seja a mão da bela donzela, senão o gosto de compor música com seus saberes e recompor o mundo no pentagrama de Agroecologia.
Os saberes agroecológicos são uma constelação de conhecimentos, técnicas, saberes e práticas dispersas que respondem às condições ecológicas, econômicas, técnicas e culturais de cada geografia e de cada população. Estes saberes e estas práticas não se unificam em torno de uma ciência: as condições históricas de sua produção estão articuladas em diferentes níveis de produção teórica e de ação política, que abrem o caminho para a aplicação de seus métodos e para a implementação de suas propostas. Os saberes agroecológicos se forjam na interface entre as cosmovisões, teorias e práticas. A Agroecologia, como reação aos modelos agrícolas depredadores, se configura através de um novo campo de saberes práticos para uma agricultura mais sustentável, orientada ao bem comum e ao equilíbrio ecológico do planeta, e como uma ferramenta para a autosubsistência e a segurança alimentar das comunidades rurais.
As múltiplas técnicas que integram o arsenal de instrumentos e saberes da agroecologia não só se fundem com as cosmologias dos povos de onde emergem e se aplicam seus princípios, senão que seus conhecimentos e práticas se aglutinam em torno de uma nova teoria da produção, em um paradigma ecotecnológico fundado na produtividade neguentrópica2 do planeta terra. Esta nova teoria da produção toma seus princípios da ciência ecológica, do território em que a intervenção sobre a terra se nutre de seus potenciais ecológicos e significações culturais, e do princípio da fotossíntese que Ignacy Sachs propôs nos anos 70 como fundamento para a construção de uma nova civilização nos trópicos (Sachs, 1976).
A Agroecologia sugere alternativas sustentáveis em substituição às práticas predadoras da agricultura capitalista e à violência com que a terra foi forçada a dar seus frutos. A Agroecologia vai forjando suas normas e regras para um novo canto da terra, da mesma maneira que Walter aprendeu dos mestres cantores não suas velhas regras de composição, senão a necessidade de se construir uns princípios para dar voz ao seu canto e expressão a sua poesia. Como Hans Sachs, que percebe a loucura, a ilusão e a futilidade da existência no início da modernidade, e que a saída para o mundo cercado e esgotado do nosso tempo não está em aferrar-se às normas do dogma produtivista, de um crescimento sem limites, que já não se sustenta, senão em transcendê-las através de um novo saber.
A Agroecologia é terra, instrumento e alma da produção, onde se plantam novas sementes do saber e do conhecimento, onde enraiza o saber no ser e na terra; é o caldeirão onde se amalgamam saberes e conhecimentos, ciências, tecnologias e práticas, artes e ofícios no forjamento de um novo paradigma produtivo.
Na terra onde se desterrou a natureza e a cultura; neste território colonizado pelo mercado e pela tecnologia, a Agroecologia rememora os tempos em que o solo era suporte da vida e dos sentidos da existência, onde a terra era torrão e o cultivo era cultura; onde cada parcela tinha a singularidade que não só lhe outorgava uma localização geográfica e suas condições geofísicas e ecológicas, senão onde se assentavam identidades, onde os saberes se convertiam em habilidades e práticas para lavrar a terra e colher seus frutos. Os saberes se confundiam com os sabores: o vinho era um produto da carícia ardente do sol sobre a dourada e redonda uva; seu fruto era transformado em um elixir de amor, marcando seu corpo em danças rituais, abraçando-o com mãos artesanais, colocando seus sucos em perfumadas barricas e destilando-os para convertê-los em água da vida. O vinho se degustava saboreando os saberes da produção e formando os saberes do gosto. A maestria da arte da colheita permitia um vínculo do produtor e do consumidor com os dons da terra. A cultura brincava com a evolução, reproduzindo e diversificando nas formas e nos tempos os sabores do milho, da batata, da mandioca. A cultura coevolucionava com a natureza, hibridandose e diversificando-se, multiplicando os sentidos da vida e as formas da natureza. Eram tempos em que o camponês extraía os sucosos e gostosos frutos da terra trocando seus excedentes em relações de complementaridade e reciprocidade e não por um mero interesse mercantil. Quando o trabalho era saber fazer e saber ser e a terra era lavrada como o ferreiro molda o metal e o escultor molda a pedra. Quando o fruto do trabalho rendia o fruto das delícias da terra, o dom da vida convertido em sabores que não só saciavam a fome, senão que, como nos mostrou Barrau (1979) em suas etnobiografias, conjugavam "as metamorfoses da alimentação com os fantasmas do gosto".
Hoje, o domínio da economia sobre estes mundos de vida e a intervenção da tecnologia na própria vida, não só dessecou a terra, em sua fome insaciável de produtividade e lucro, como também espremeu o suco dos sabores para deixar só a forma sedutora de frutos e legumes que atraem pela vista, que saciam a fome de alguns consumidores, mas que não têm sabor de nada. Não se trata de nostalgia por tempos passados. Hoje a "tortilla", base da alimentação do povo mexicano, perdeu seu sabor; as frutas e legumes se exibem como bens de luxo, a preços exorbitantes, nos supermercados novaiorquinos. Parecem mulheres maquiadas atrás de uma vitrine: atraem os olhares, é possível fincar o dente e adornar com elas um palito de uma cozinha fina, mas não se pode tocar o sabor natural de sua pele e de sua suculenta carne. Hoje, o bom "confik d'öie", um "jarkoye", um "gefilte fish", o acarajé ou o "chile en nogada" já se comem só em casa das avós sobreviventes da modernização forçada do campo, e seus sabores morrem quando elas se vão deste mundo. De modo igual, ocorre em releção aos alimentos naturais, aos frutos do mar. Um "boi marinho" na Espanha ou uma "sapateria" em Portugal são inexportáveis fora das costas do Mar Cantábrico e do Oceano Atlântico, que acariciam as terras galegas e lusitanas.
A globalização, hoje, nos oferece comida de todos os países em todas as partes do mundo, junto com o Mc Donald's e a Coca-Cola, que homogeneizam o gosto dos cidadãos deste planeta. Mas um "mole" mexicano é em essência (e por suas essências) tão inexportável como os sabores de uma simples massa na mais modesta cafeteria de Hong Kong. Os sabores exigem e se aferram ao seu lugar de origem, à sua terra e à arte culinária de seus povos, e morrem de nostalgia ao serem desterritorializados e expatriados.
A terra foi desterritorializada e o camponês foi "descampesinado", separado de sua terra e do sentido de sua existência. Hoje, em nome da preservação da biodiversidade, se homogeneizam os cultivos de exportação, a tecnologia intervém na vida, manipulando gens, gerando uma transgênese que, com seu orgulho produtivo, vence as resistências dos estados livres de transgênicos e as defesas da biossegurança. Em nome da sobrevivência se vai matando a vida. A produtividade agronômica não garante a distribuição de alimentos nem a segurança alimentar; avança sepultando os sentidos do cultivo e os sabores da terra.


2. Agroecologia, produtividade ecotecnológica e racionalidade ambiental
A Agroecologia foi definida por Altieri (1987) como "as bases científicas para uma agricultura alternativa". Seu conhecimento deveria ser gerado mediante a orquestração das aportações de diferentes disciplinas, para compreender o funcionamento dos ciclos minerais, as trans-formações de energia, os processos biológicos e as relações socioeconômicas como um todo, na análise dos diferentes processos que intervêm na atividade agrícola. A Agroecologia incorpora o funcionamento ecológico necessário para uma agricultura sustentável, mas ao mesmo tempo introjeta princípios de eqüidade na produção, de maneira que suas práticas permitam um acesso igualitário aos meios de vida.
A Agroecologia compreende a dimensão entrópica da deterioração dos recursos naturais dos sistemas agrícolas, não obstante, ao orientar suas ações ao âmbito do produtor direto, não oferece um paradigma compreensivo que apresente soluções globais à degradação entrópica do planeta através de uma nova racionalidade produtiva que dê coerência e eficácia às diferentes técnicas e ações locais. Em suas aplicações pontuais, a Agroecologia contribui para desmontar os modelos agroquímicos tradicionais; mas sua ação transformadora implica a inserção de suas técnicas e suas práticas em uma nova teoria da produção (Leff, 1994, 2000).
A Agroecologia não é somente uma caixa de ferramentas ecológicas para ser aplicada pelos agricultores. Da maneira como é trabalhada por Altieri, Gonzáles de Molina, Sevilla ou Gliessman, as condições culturais e comunitárias em que estão imersos os agricultores, sua identidade local e suas práticas sociais são elementos centrais para a concretização e apropriação social de suas práticas e métodos.
A Agroecologia, como instrumento do desenvolvimento sustentável, se funda nas experiências produtivas da agricultura ecológica, para elaborar propostas de ação social coletiva que enfrentam a lógica depredadora do modelo produtivo agroindustrial hegemônico, para substituí-lo por outro, que orienta para a construção de uma agricultura socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável. Ela envolve o pesquisador na realidade que estuda, ao aceitar, em pé de igualdade com o seu conhecimento científico, os saberes locais gerados pelos agricultores. A Agroecologia surgiu, precisamente, de uma interação entre os produtores (que se rebelam frente à deterioração da natureza e da sociedade, que é provocada pelo modelo produtivo hegemônico) e os pesquisadores e professores mais omprometidos com a busca de estratégias sustentáveis de produção. É a fusão entre a "Empiria camponesa" e a "Teoria Agroecológica" que estabelece um desenvolvimento alternativo, um Desenvolvimento Rural Sustentável (Sevilla, 2001). Isso implica ir além do estudo das economias camponesas para garantir a sobrevivência das comunidades indígenas e a sustentabilidade das economias camponesas, estabelecendo um vínculo da Agroecologia em uma nova teoria da produção, que se sustenta no espaço rural e que, portanto, convoca os povos do campo e das florestas como atores privilegiados do processo.
A Agroecologia se assenta nas particulares condições locais e na singularidade de suas práticas culturais. Ela hibrida uma constelação de múltiplos saberes e conhecimentos. Mas sua consistência, suas perspectivas de validação e confiança dependem de sua articulação em torno de um novo paradigma produtivo. Pois, mais além de seus direitos próprios como práticas singulares de agricultores, sua existência se debate frente a uma racionalidade econômica e tecnológica que vai conformando e condicionando as formas de intervenção na terra, para extrair seus frutos, onde a produtividade de curto prazo prevalece sobre os princípios da produção sustentável e sobre as formas de apropriação da natureza.
Frente à transformação da geopolítica de uma economia ecologizada que hoje em dia revaloriza o sentido conservacionista da natureza - reabsorve e redesenha a economia natural dentro das estratégias de mercantilização da natureza, reduzindo o valor da biodiversidade em suas novas funções como provedora de riqueza genética de valores cênicos e ecoturísticos e de sua capacidade de absorção de carbono, a Agroecologia se encrava no contexto de uma economia política do ambiente. Desta maneira, devolve o sentido à força de trabalho como labor produtivo que trabalha com forças da natureza, onde o trabalho, dentro de conjunto de práticas, não só é conduzido por saberes e conhecimentos práticos, mas por uma teoria que os envolve em uma estratégia política que os conduz e os faz valer, frente às valorizações "crematísticas"4 da produtividade econômica e tecnológica de curto prazo.
A nova economia, que acolhe e se constrói nas práticas agroeconômicas, se baseia em princípios ecológicos e termodinâmicos desconhecidos e negados pela ciência econômica como foram "descobertos" por Nicolás Georgescu Roegen (1971). Esta nova economia não só reconhece a Entropia como "Lei limite do crescimento econômico e da produção em geral". Além de sua negatividade crítica, esta nova racionalidade produtiva se funda no princípio de uma produtividade neguentrópica.
Este paradigma de produtividade ecotecnológica sustentável não só recupera e renova os princípios de uma fisiocracia sepultada – e seus saberes associados e subjugados – pela emergência e domínio da racionalidade econômica. Hoje, ante a apropriação privada do núcleo genético das sementes e a injeção letal que impede sua reprodução como fonte de sustento do agricultor, são defendidos os direitos dos agricultores e se reconhece a produtividade da natureza encapsulada nas sementes.
A Agroecologia se nutre desta capacidade de produtividade natural, da transformação neguentrópica da energia solar através da fotossíntese, da produtividade e reprodução das sementes. Gera técnicas para lavrar a terra, recombinar os gens da vida, multiplicar a capacidade de fotossíntese de diversos arranjos florísticos, das cadeias trópicas, de cultivos múltiplos e combinados, de pisos ecológicos e complementaridades espaciais, para incrementar a produtividade ecotecnológica sustentável de dado território.
Mas esta racionalidade ecotecnológica não se produz nem se pratica como um conjunto de regras gerais que se instrumentam e induzem desde cima – de um laboratório, uma universidade, uma burocracia - sobre as práticas cotidianas dos agricultores e produtores agrícolas. É um "paradigma" pela generalidade de seus novos princípios, mas que se aplica através de saberes pessoais e coletivos, de habilidades individuais e direitos coletivos, de contextos ecológicos específicos e culturas particulares. É isso o que abre um amplo processo de mediações entre a teoria geral e os saberes específicos, uma hibridação de ciências, tecnologias, saberes e práticas; um intercâmbio de experiências - agricultor a agricultor - das quais se enriquecem, se validam e se estendem as práticas da Agroecologia.
A Agroecologia reconceptualiza a terra e a natureza como agroecossistema produtivo. Isso significa libertar o conceito de terra e de recurso, das formas limitadas de significação do natural submetido à racionalidade econômica, que levaram a desnaturalizar a natureza de sua organização ecossistêmica para convertê-la em recurso natural, em matéria-prima para a apropriação produtiva (e destrutiva) da natureza; que levaram a desterritorializar a terra para poder estabelecer seu valor como uma renda, produto das fertilidades diferenciadas dos solos.
Hoje, parece que desapareceram os condicionantes físicos que obrigam os homens a adaptar-se às condições locais dos solos, do clima e da água; como um novo Prometeu libertado pela magia e pela força da biotecnologia, o neoliberalismo econômico e tecnológico pretende libertar a produção de seus limitantes naturais. Deslocando estas abstrações simplificadoras e fictícias, o saber ambiental recupera o ser da natureza e da terra.
O agroecossistema não só devolve à natureza a sua natureza ecossistêmica e recoloca a terra em suas bases territoriais (políticas e culturais). As práticas agroecológicas recuperam também o sentido do valor de uso (ecológico) da terra e seus recursos, e o devolvem a seu verdadeiro ser. Pois, se entendemos o verbo usar no sentido heideggeriano de "deixar uma coisa ser o que é e como é", o que "requer que a coisa usada seja tratada em sua natureza essencial" (Heidegger, 1954/1968), então o uso de recursos naturais implica que eles sejam tratados de acordo com suas formas de ser, com suas condições de existência, de renovação, de evolução. Visto desta forma, podemos renovar o conceito de valor de uso natural ou valor de uso da natureza não só pelo valor intrínseco de uma coisa (um recurso) que a faz ser útil, utilizável e necessária para uma pessoa; o valor de uso implicaria também o respeito ao objeto valorado e utilizado para um fim humano, quer dizer, o "valor em si" da natureza por suas condições de produção e reprodução, e como suporte das condições materiais e simbólicas da existência humana.
As aproximações da Agroecologia constituem, assim, um exemplo prático da emergência do potencial ecotecnológico de uma racionalidade ambiental. As práticas agroecológicas resultam culturalmente compatíveis com a racionalidade produtiva camponesa, pois se constroem sobre o conhecimento agrícola tradicional, combinando este conhecimento com elementos da ciência agrícola moderna. As técnicas resultantes são ecologicamente apropriadas e culturalmente apropriáveis; permitem a otimização da unidade de produção através da incorporação de novos elementos às práticas tradicionais de manejo, elevando a produtividade e preservando a capacidade produtiva sustentável do ecossistema. Isso leva a um processo de reconstrução das práticas e dos valores autóctones das etnias, conservando suas identidades culturais. Os serviços ambientais que oferecem os sistemas agroecológicos contribuem para a sua produtividade, ao mesmo tempo em que os fazem mais adaptáveis e resistentes aos câmbios climáticos.
A Agroecologia, fundada nos princípios da produtividade ecotecnológica, oferece novos potenciais para o desenvolvimento sustentável alternativo. Mas estes princípios não podem ser implantados através da imposição de normas ecológicas gerais, desde as instâncias do planejamento centralizado do Estado, nem devem sujeitar-se aos mecanismos de regulação do mercado. Seus princípios emergem das culturas que habitam os diferentes ecossistemas e são recuperáveis através de uma nova racionalidade produtiva, um amálgama do tradicional com o moderno, que passa por processos de transformação e assimilação cultural em práticas produtivas locais. Esses processos estão sendo mobilizados pela emergência de novos atores sociais no campo, cujas letras traduzem os princípios do ambientalismo em novas práticas produtivas apropriáveis pelas próprias comunidades para satisfazer suas necessidades básicas e suas aspirações dentro de diversos estilos de vida e de desenvolvimento.


3. Paradigma agroecológico: interdisciplinaridade e diálogo de saberes
A Agroecologia surge como um conjunto de conhecimentos, técnicas e saberes que incorporam princípios ecológicos e valores culturais às práticas agrícolas que, com o tempo, foram desecologizadas e desculturalizadas pela capitalização e tecnificação da agricultura.
A Agroecologia convoca a um diálogo de saberes e intercâmbio de experiências; a uma hibridação de ciências e técnicas, para potencializar as capacidades dos agricultores; a uma interdisciplinaridade, para articular os conhecimentos ecológicos e antropológicos, econômicos e tecnológicos, que confluem na dinâmica dos agroecossistemas. Estas ciências se amalgamam no caldeirão no qual se fundem saberes muito distintos para a construção de um novo paradigma produtivo. Esta hibridação de conhecimentos e diálogo de saberes orienta uma grande transformação da natureza, para regenerar seus potenciais ecológicos a partir da fotossíntese, o que implica a necessidade de uma tecnologia para o manejo eficiente dos ciclos da matéria, dos nutrientes e da energia, em cadeias tróficas, dos processos de sucessão secundária, da diversificação de plantas de terras baixas, de sistemas de cultivos múltiplos e intercalados e de novas arquiteturas dos recursos bióticos que integrem plantas de diferentes culturas, de cultivos de diferentes estações, do uso de diferentes pisos ecológicos, que permitam o manejo mais eficiente da luz, dos nutrientes e da energia, que resultam no aumento da produtividade neguentrópica. Não é só a contraposição de uma lógica camponesa a uma lógica urbana, senão que de uma racionalidade econômica "contra natura" a uma racionalidade ambiental que recupera as condições ecológicas e os potenciais produtivos da natureza, para conduzir um processo de regeneração civilizatória, em direção à sustentabilidade.
Mas, ao contrário da relação entre ciências e saberes induzida pela especialização de conhecimentos na divisão do trabalho da agronomia capitalizada, para o aumento da produtividade agronômica de cada unidade produtiva orientada ao monocultivo para a exportação, na agroeconomia os saberes se integram dentro de outras sinergias e põem em suas bases outros princípios. Desta maneira, o potencial ecotecnológico se funda em saberes e conhecimentos conservacionistas do tecido ecológico dos agroecossistemas e da produtividade que emana de seus ciclos ecológicos. Deste modo, na reapropriação de saberes tradicionais e sua hibridação com conhecimentos científicos modernos, o elemento aglutinante não é o desejo de lucro, senão a reprodução ecológico-cultural do agroecossistema e do território. As unidades agroecológicas se reforçam através de afinidades de interesses, em um diálogo de saberes que se reproduz por meio do intercâmbio de experiências (agricultor a agricultor, indígena a indígena) que não é somente de saberes técnicos, mas de matrizes culturais.
Os saberes colocados em jogo não se baseiam, exclusivamente, em conhecimentos técnicos e com fim econômico. Também se entrelaçam saberes muito mais difusos, de ordem ética e cultural, que muitas vezes determinam as práticas concretas e as normas de intervenção das sociedades camponesas e comunidades indígenas, na configuração de seus agroecossistemas produtivos. Um exemplo disso é o debate sobre a aceitação ou rechaço da implantação de cultivos transgênicos, onde a controvérsia de interesses em disputa não se resolve nem se decide apenas com base na produtividade agronômica, senão que inclui valorações muitas vezes incertas sobre possíveis riscos e impactos ecológicos, sociais e culturais, e onde o princípio da precaução adquire validez frente ao potencial produtivo das novas biotecnologias.
A Agroecologia e a agronomia capitalista não se enfrentam por seus "paradigmas de conhecimento" simplesmente contrastando a efetividade de seus modelos produtivos, tomando a natureza como objeto. Em ambos os casos, a produção está vinculada a cosmovisões de mundo: assim, enquanto a Agroecologia se nutre dos saberes culturais dos povos, de valores tradicionais que vinculam o momento da produção com as funções simbólicas e o sentido cultural do metabolismo social com a natureza, a agricultura capitalista se funda na crença no mercado e na valorização da especialização tecnológica do processo e do crescimento sem limites, que vai desnaturalizando a natureza e a relação do homem com a terra.
Neste sentido, as múltiplas vias de hibridação dos saberes e das práticas não científicas que conformam o conhecimento e práticas da Agroecologia não constituem propriamente um paradigma científico que deveria ser contrastado com a realidade e confrontado com a "ciência normal" (e com os valores que esta persegue) e a agronomia capitalizada que existe atualmente. Estes princípios, valores, saberes e conhecimentos adquirem coerência paradigmática em níveis teóricos mais gerais, nos quais é possível contrastar as práticas agronômicas que se originam da racionalidade econômica dominante, com a Agroecologia vinculada a uma racionalidade ambiental.
A reorganização de saberes e conhecimentos a que conduzem as práticas agroecológicas não se constitui um paradigma que por sua maior compreensividade e veracidade haveria de deslocar o antigo modelo agronômico. Estes paradigmas contrapostos não se validam e resolvem em sua contrastação com a realidade, no sentido popperiano nem kuhniano das ciências, senão que na confrontação de estratégias produtivas da agronomia capitalista e da nova Agroecologia. Estas se dirimem no campo da produção e da política, na afirmação de princípios ecológicos e valores culturais e não, exclusivamente, na produtividade econômica e agronômica resultantes de suas práticas.
Ao contrário dos paradigmas científicos que são contrastados e provados em espaços restritos de experimentação científica, a Agroecologia se prova nos campos de produção agrícola. Seus saberes não se validam ou refutam no laboratório científico, porém nas práticas de cultivo de indígenas, camponeses e agricultores. Por isso, a Agroecologia desafia o conhecimento, mas este se aplica e se testa no terreno dos saberes individuais e coletivos. A atividade de cada agricultor está motivada por cosmovisões e constelações de valores e interesses que são incomensuráveis com os valores monetários da agronomia. A Agroecologia implica a produção interdisciplinar de conhecimentos, mas se concretiza através de um processo de apropriação e aplicação desses conhecimentos, da hibridação entre conhecimentos e saberes.
A validação do paradigma da Agroecologia não se produz conforme as regras da produção científica convencional, mas através da experiência dos saberes práticos. São conhecimentos que se aferram à terra conduzidos por saberes individuais dos produtores diretos. Neste sentido, deveríamos falar, sobretudo, de "saberes agroecológicos", que envolvam o sujeito do conhecimento, como nos tempos dos saberes tradicionais, em que a vida cotidiana e produtiva estava arraigada nas artes e ofícios, na maestria própria da execução de práticas guiadas por regras, mas onde a criatividade individual não estava submissa a um mecanismo tecnológico e científico imposto de cima e de fora do âmbito dos mundos de vida das pessoas.
Os métodos da Agroecologia na produção agrícola e florestal se alimentam do conhecimento milenar acumulado pelas comunidades indígenas e rurais do mundo inteiro - e, em particular, das populações das regiões tropicais do planeta -, mas também se alimentam da etnobiologia e da etnotécnica que proporcionam uma "verificação científica" dos fundamentos de ditas práticas culturais de manejo sustentável dos recursos. Frente a este processo, as próprias comunidades rurais incorporam em suas exigências de autogestão uma espécie de prevenção contra a "cientifização" do saber agroecológico inscrito nos sistemas de conhecimentos tradicionais. Esta prevenção se afirma na racionalidade cultural e na identidade étnica das próprias comunidades, impedindo que o conhecimento pudesse se impor, desde a legitimidade das instituições acadêmicas e da racionalidade econômica do livre mercado, sobre as práticas dos produtores rurais.
O saber ambiental fertiliza o campo da Agroecologia, articula seus saberes e práticas com uma nova teoria da produção e os constitui na ponta de lança e em um pilar para a construção de uma racionalidade produtiva alternativa (Leff, 1998,2001). O objetivo da Agroecologia não é, simplesmente, contribuir para uma produção mais sustentável, dentro dos mecanismos do desenvolvimento limpo, ou para ocupar nichos de mercado de produtos "verdes" dentro das políticas da globalização econômico-ecológica. O saber agroecológico contribui para a construção de um novo paradigma produtivo ao mostrar a possibilidade de produzir "com a natureza", de gerar um modo de produção fundado no potencial ecológico-tecnológico da natureza e da cultura. O saber agroecológico se inscreve, assim, nas estratégias de poder, no saber pela sustentabilidade, que implicam a necessidade de uma política científicotecnológica que favoreça seus processos de inovação e consolide suas práticas produtivas, pondo em jogo um complexo processo de recuperação, hibridação e inovação de saberes, em uma política de reapropriação cultural da natureza.


4. Agroecologia e gestão comunitária dos recursos naturais
A nova ordem econômica aspira a estabelecer as bases da sustentabilidade para a racionalidade do mercado. Entretanto, os fundamentos da Sustentabilidade Global se estabelecem nos processos produtivos primários - nas economias de subsistência que não estiveram regidas tradicionalmente pelos princípios da acumulação e produção para o mercado -, que afetam diretamente a fertilidade dos solos, a produtividade dos bosques e a preservação da biodiversidade. Neste sentido, não poderia haver uma economia sustentável que não estivesse fundada em uma agricultura e em uma silvicultura sustentáveis, das quais dependem as condições de existência da maioria da população do Terceiro Mundo e o equilíbrio ecológico do planeta.
Os métodos da Agroecologia mostraram o potencial de suas estratégias para desenvolver uma agricultura sustentável e altamente produtiva, baseada na capacidade fotossintetizadora dos recursos vegetais, na conservação dos solos, no manejo de processos ecológicos, nos cultivos múltiplos e em sua associação com espécies silvestres, no "metabolismo" entre processo de produção primária, transformação tecnológica e reciclagem ecológica de resíduos industriais. Estas experiências, uma vez sistematizadas, oferecem princípios e técnicas capazes de ser generalizados. Desta maneira, a Agroecologia gera novas potencialidades produtivas no agro, gerando novas alternativas ecológicas e afirmando suas estratégias nas comunidades rurais (Toledo, 1989).
A importância dos métodos da Agroecologia para o manejo produtivo e sustentável dos recursos florestais e agrícolas radica na oferta potencial de recursos que pode gerar para melhorar as condições de subsistência dos milhões de camponeses e indígenas que se encontram em estado de desnutrição e pobreza extrema e excluídos das garantias da segurança e autosuficiência alimentar, devido à implementação de modelos produtivos que não consideram as condições ecológicas, sociais e culturais próprias dessas comunidades rurais. Neste sentido, os princípios da Agroecologia oferecem a possibilidade de estabelecer práticas produtivas sobre bases ecológicas e democráticas.
A necessidade desta transformação produtiva no campo surge, também, das limitações para gerar empregos para a população rural, que é expulsa para as cidades, para terras marginais e ecossistemas frágeis (pelos processos predominantes de desmatamento e de modernização do agro), empobrecendo ainda mais a população rural e acentuando a perda de fertilidade dos solos.
A complexidade e a fragilidade dos ecossistemas tropicais, que definem a vocação dos solos, assim como a heterogeneidade cultural da organização social dos países tropicais, obrigam a pensar uma estratégia diferente para o manejo produtivo e sustentável de seus agroecossistemas, ao contrário de continuar sua artificialização e capitalização forçada, determinada pelas condições do mercado mundial. Reconhecendo que a conversão do uso do solo para o desenvolvimento da agricultura comercial e da pecuária extensiva foi a principal causa do desmatamento - da destruição das florestas e selvas úmidas - e da erosão da fertilidade dos diferentes ecossistemas da América Latina, surge a necessidade de reorientar as estratégias de recuperação e de uso sustentável do solo, baseadas no manejo múltiplo e integrado dos recursos naturais.
A oferta natural de recursos procedentes da diversidade biológica dos ecossistemas tropicais oferece condições vantajosas para aplicar os princípios de manejo agroflorestal em projetos de autogestão produtiva e de manejo múltiplo e integrado dos recursos florestais, agrícolas e pecuários, assim como na transformação agroindustrial in situ de seus recursos, fomentando a integração regional de agroindústrias e mercados. Esta estratégia resulta mais adequada às condições ecológicas e sociais da produção sustentável no trópico do que a homogeneização forçada dos recursos orientada para as oportunidades conjunturais do mercado mundial. Isso implica a necessidade de desenvolver tecnologias eficientes e adequadas para serem administradas pelas próprias comunidades para transformar os recursos naturais a escalas que correspondam aos ritmos de oferta ecologicamente sustentável e que permitam o aproveitamento de espécies de uso não convencional.
Os princípios da Agroecologia e o manejo integrado de recursos suscitam a possibilidade de construir uma economia mais equilibrada, justa e produtiva, fundada na diversidade biológica da natureza e na riqueza cultural dos povos da América Latina. Entretanto, para gerar este novo potencial, é necessário legitimar os direitos e fortalecer politicamente as comunidades, dotando-as, ao mesmo tempo, de uma maior capacidade técnica, administrativa e financeira, para a autogestão de seus recursos produtivos. Abrem-se aqui diversas possibilidades que vão desde o manejo de reservas extrativistas e da floresta natural, até o desenvolvimento de práticas de manejo agro-silvoecológicas para o aproveitamento múltiplo da floresta tropical, a regeneração seletiva de seus recursos naturais e o manejo de cultivos diversificados. Pesquisas recentes mostram o potencial de desenvolvimento, para o autoconsumo e para o mercado mundial, que oferece o manejo produtivo dos diversos e exuberantes recursos da selva tropical, passando da agricultura itinerante tradicional ao estabelecimento de parcelas fixas altamente produtivas, baseadas no uso múltiplo e integrado de seus recursos (Boege, 1992).
A construção deste potencial alternativo de desenvolvimento dependerá, sem dúvidas, da produção de tecnologias apropriadas para o manejo produtivo da biodiversidade dos ecossistemas e para o aproveitamento múltiplo de seus recursos, revertendo as tendências dominantes que querem transformá-los em grandes plantações de cultivos especializados de alto rendimento no curto prazo. Abrem-se, assim, perspectivas promissoras para um desenvolvimento agroflorestal, gerando meios de produção melhorados, assimiláveis pelas práticas produtivas das comunidades rurais. Entretanto o controle das empresas de biotecnologia sobre as cada vez mais sofisticadas técnicas de engenharia genética põe em desvantagem as populações indígenas e camponesas, frente aos grandes consórcios internacionais que contam com os meios científicos e econômicos para apropriar-se do material genético dos recursos naturais que foram e continuam sendo patrimônio histórico das populações das regiões tropicais. Isso requer a necessidade de desenvolver estratégias que permitam que as comunidades rurais possam assegurar e legitimar seus direitos sobre seu patrimônio de recursos e a propriedade da terra, de modo que se assegurem a transferência e apropriação real dos novos recursos tecnológicos para melhorar suas condições de autogestão produtiva.
As possibilidades que abre a Agroecologia para converter os recursos agrícolas e florestais em bases para o desenvolvimento e bemestar das comunidades rurais aparece, também, como um meio para a proteção efetiva da natureza, da biodiversidade e do equilíbrio ecológico do planeta. A consolidação destes processos dependerá do fortalecimento da capacidade organizativa das próprias comunidades, para desenvolver alternativas produtivas que permitam melhorar suas condições de vida e aproveitar seus recursos de forma sustentável. Desta maneira, os moradores das florestas e das áreas rurais do Terceiro Mundo poderão aliviar sua pobreza e conservar sua base de recursos como um potencial produtivo que lhes permita satisfazer suas necessidades atuais e construir seu futuro de forma sustentável. Para isso, é necessário reconstruir os potenciais ecológicos e culturais que dão as bases a um paradigma de produtividade ecotecnológica, ao mesmo tempo em que se legitimam os novos direitos coletivos dos povos indígenas e das sociedades rurais, para a reapropriação de seu patrimônio de recursos naturais e culturais (Leff, 1993).


5. O movimento agroecológico e a reapropriação social da natureza
A degradação sócio-ambiental está exigindo a impostergável necessidade de transformar os princípios da racionalidade econômica, de seu caráter desigual e depredador, para construir uma racionalidade produtiva capaz de gerar um desenvolvimento eqüitativo, sustentável e duradouro. Este debate teórico e político gerou um amplo movimento social, através do qual os princípios do desenvolvimento sustentável se vão arraigando nas lutas populares e nas organizações das comunidades rurais, em defesa da autogestão de suas terras e de seus recursos naturais.
Neste sentido, surgiram diversas organizações, em diferentes regiões do mundo, entre as quais se destacam o Movimento Chipko, contra a privatização dos bosques do Himalaia (Guha, 1989), e o Movimento dos Seringueiros da Amazônia, em defesa das reservas extrativistas (Allegretti, 1987, e Gonçalves, 2001). Nos anos recentes, um vigoroso movimento indígena e camponês - no qual os sinais mais visíveis são o MST e o EZLN - se incorporou a este processo de ambientalização, afirmando seus direitos de autonomia e autogestão, assim como sua capacidade de reapropriação de seus territórios, de suas riquezas florestais e da biodiversidade de suas matas, reconhecendo que sua sobrevivência e condições de vida dependem do manejo sustentável dos recursos agroecológicos.
Os movimentos sociais associados ao desenvolvimento do novo paradigma agroecológico e a práticas produtivas no meio rural não são senão parte de um movimento mais amplo e complexo orientado em defesa da transformação do Estado e da ordem econômica dominante. O movimento para um desenvolvimento sustentável é parte de novas lutas pela democracia direta e participativa e pela autonomia dos povos indígenas e camponeses, abrindo perspectivas para uma nova ordem econômica e política mundial.
Neste contexto, os princípios da Agroecologia e o manejo agroflorestal não só sugerem a necessidade de reestruturar a produção nos ambientes rurais para ajustar esta produção a novas oportunidades de mercado e às condições de rentabilidade da produção agrícola, mas se propõem a estabelecer uma nova racionalidade produtiva sobre bases ecológicas e de eqüidade social. Os projetos de capitalização do campo, associados primeiro com a Revolução Verde e agora com os cultivos transgênicos, foram incapazes de respeitar o valor dos recursos naturais, culturais e humanos do meio rural, levando a uma sobreprodução e a um subconsumo de produtos alimentícios, com efeitos devaStadores em termos de perdas de fertilidade dos solos, salinização e erosão das terras, além da diferenciação social e da miséria extrema, geradas pelas empresas agroindustriais intensivas em capital e em insumos híbridos e energéticos (Garcia et al., 1988 a. e 1986).
O movimento pela conservação produtiva das florestas e bosques passou a ocupar um papel importante na resolução de problemas ambientais globais, como o aquecimento global, que vem ocorrendo devido tanto às taxas de desmatamento como aos efeitos da crescente concentração urbana, ao crescimento da produção industrial e ao irracional uso de energia. Por isso mesmo, veio à tona o imperativo de preservar as funções ecológicas das florestas, que contribuem para manter os equilíbrios hidrológicos e climáticos da terra, e de melhorar o potencial de produção florestal dos trópicos, baseado em suas condições particulares de produtividade natural e regeneração ecológica, através de práticas sustentáveis de manejo integral dos recursos, que permitam preservar sua biodiversidade e satisfazer as necessidades fundamentais das populações locais.
O processo atual de transformação produtiva do campo não só propõe um questionamento sobre a possibilidade de gerar novos empregos para a população rural que será expulsa de um agro modernizado. Na verdade, estabelece o desafio de estancar a perda de florestas e solos, enquanto se desenvolvem novas estratégias produtivas que permitam o aproveitamento do potencial produtivo dos ecossistemas rurais dos trópicos.
O problema que está colocado é a necessidade de articular os espaços de economias autogestionárias e endógenas, fundado sobre a apropriação comunitária dos recursos, com as forças onipresentes do mercado mundial. Assim mesmo, será necessário incorporar as bases naturais e culturais de sustentabilidade à racionalidade da produção e equilibrar a eficácia produtiva com a distribuição do poder, de modo que sejam os atores conscientes de uma nova economia social quem decidam e controlem os processos políticos e produtivos e não apenas as leis cegas e os interesses corporativos do mercado. Emergem, assim, os princípios de uma gestão ambiental participativa, a exigência da sociedade civil, das comunidades indígenas e dos povos das florestas, que demandam o acesso e a apropriação de seus recursos, do entorno no qual historicamente se desenvolveram suas civilizações, dando-lhes o sustento vital e cultural. Estas novas economias endógenas e autogestionárias se fundem em uma demanda por democracia participativa e direta, que implica o seu direito de pensar, propor e realizar outros futuros possíveis, de gerar novas técnicas e de apropriar-se delas como força produtiva e de democratizar os processos de produção de seus meios de vida.
Assim, o movimento ambiental está abrindo novas vias para reverter a degradação ecológica, a concentração industrial, a congestão urbana e a concentração do poder, para romper a alienação imposta por um modelo homogeneizante e desigual; para seguir a evolução da natureza em direção à diversidade biológica e seguir a aventura da humanidade pela via da heterogeneidade cultural; para estabelecer formas mais produtivas e igualitárias, mas, também, melhores formas de convivência social e de relação com a natureza.
Os imperativos da modernidade não devem limitar-se a ajustar (forçar) as diversas condições ecológicas, culturais e sociais, que determinam o aproveitamento eqüitativo e sustentável dos recursos, aos princípios de uma racionalidade econômica que somente dá valor ao patrimônio de recursos naturais e culturais em termos de capital natural e humano, quer dizer, do valor da força de trabalho e das matérias- primas determinado pelos mecanismos do mercado. O desafio é desenvolver novas formas de articulação de uma economia global sustentável com economias de autoconsumo centradas na melhoria do potencial ambiental de cada localidade, que resultem altamente produtivas, ao mesmo tempo em que preservem a base de recursos naturais e a diversidade biológica dos ecossistemas. Isso exige a necessidade de promover formas de associação e investimento que transfiram uma maior capacidade técnica e um maior potencial produtivo às próprias comunidades, através de processos de co-gestão que melhorem as condições de vida da população, que assegurem a sustentabilidade, a longo prazo, dos processos produtivos e que aumentem, ao mesmo tempo, os excedentes comercializáveis.
As perspectivas para o uso sustentável dos recursos estão atravessadas por poderes desiguais que defendem diferentes projetos de desenvolvimento. Assim, os países do Norte manifestam seu interesse em preservar a biodiversidade do planeta e em explorar os recursos florestais dos países subdesenvolvidos, amparando-se nos direitos de propriedade intelectual e nas patentes sobre melhorias genéticas dos recursos vegetais. Por outro lado, os países do Sul resistem a ceder o controle sobre seus recursos aos mecanismos do mercado mundial e às cada vez mais sofisticadas estratégias de dominação que estão desenvolvendo os países do Norte, à base do controle do conhecimento científico, da propriedade das inovações biotecnológicas e de seu poder financeiro.
Ante esta disjuntiva, os princípios de racionalidade ambiental e produtividade ecotecnológica se vinculam à necessidade de reforçar o poder e as capacidades das próprias comunidades para empreender um desenvolvimento endógeno, fundado no aproveitamento das florestas e bosques tropicais, a partir dos princípios da autogestão comunitária e do uso ecologicamente sustentável dos recursos naturais. Esta estratégia deixou de ser somente uma proposta de acadêmicos, intelectuais e grupos ambientalistas, para transformar-se em uma demanda das comunidades rurais. Surgiram, assim, numerosas experiências e todo um movimento ambiental que colocam na prática os princípios do ecodesenvolvimento e da Agroecologia pelos próprios agricultores e povos da floresta, os quais lutam por reapropriar-se do controle coletivo de seus recursos naturais e culturais e pela reorganização de suas práticas produtivas.
Desde o final dos anos setenta, durante a década dos 80 e ainda mais na década de 90, uma vertente do movimento ambiental vem se firmando nas comunidades rurais, incorporando suas demandas tradicionais pela terra e pela autogestão de seus recursos naturais. Isso se reflete na organização de produtores florestais, que lutam por transformar o regime de exploração dos recursos das empresas concessionárias, por um novo modelo de apropriação do seu patrimônio de recursos, de autogestão da produção e comercialização, adquirindo, ao mesmo tempo, o controle sobre os serviços técnicos florestais e gerando inovações técnicas a partir das práticas tradicionais de uso dos recursos. As propostas para o aperfeiçoamento sustentável das florestas e dos recursos naturais estão arraigando-se em novas formas de organização das comunidades, para a defesa e o controle coletivo de seus recursos, assim como para o desenvolvimento de estratégias produtivas alternativas. Está nascendo, assim, um novo espírito de organização coletiva, que mobiliza um desenvolvimento alternativo fundado no potencial produtivo dos ecossistemas, na diversidade cultural e nas capacidades organizativas das comunidades rurais.
Ao serem colocadas em prática estas estratégias produtivas de gestão participativa, se avança na realização de um desenvolvimento alternativo, no qual se vai forjando uma nova consciência social e um conhecimento coletivo sobre o potencial que encerra o manejo ecológico dos recursos naturais e a energia social que surge nesses processos sociais de autogestão produtiva. Estes vão rompendo um longo processo de exploração dos recursos e das comunidades rurais - como forma de assegurar a acumulação de capital -, a centralização política e a concentração urbana, nos quais as economias de escala e de aglomeração se transformaram, superando patamares críticos de desequilíbrio ecológico e de tolerância social, que se refletem no aumento da pobreza crítica e da degradação ambiental.
A partir desta constatação, está surgindo uma demanda das comunidades para que o Estado reconheça seus direitos de uso, usufruto e manejo dos recursos florestais. Emerge, assim, uma nova consciência e um novo espírito de organização coletiva, que mobilizam um desenvolvimento alternativo ao projeto neoliberal e a um modelo homogeneizador, alheio à diversidade cultural e ao potencial produtivo dos ecossistemas do trópico. A consolidação desses processos dependerá do fortalecimento da capacidade organizativa das próprias comunidades. Também requererá uma clara vontade política para apoiar estas alternativas de desenvolvimento, oferecendo os apoios técnicos e financeiros básicos para a inovação e aplicação de novas técnicas para o fortalecimento destas novas formas de organização produtiva.
Este movimento levou ao aumento do número de organizações rurais e camponesas, assim como de projetos de pesquisa, desenvolvimento e extensão orientados pelos princípios da Agroecologia, gerando uma colaboração em forma de redes para o intercâmbio de experiências e conhecimentos, assim como para fortalecer o consenso social a favor dos novos projetos produtivos, buscando incidir nas políticas de produção rural e desenvolvimento sustentável.
Desta maneira, um movimento social, cada vez mais amplo, avança na construção de uma nova racionalidade produtiva, fundada em bases ecológicas para uma produção sustentável, assim como em critérios de eqüidade social e de diversidade cultural, capazes de reverter os processos de degradação ambiental e de gerar benefícios diretos para as comunidades responsáveis pela autogestão de seus recursos ambientais. Sem dúvidas, os moradores que habitam os bosques, as selvas tropicais e as áreas rurais onde se significa sua cultura, onde se forjam suas solidariedades coletivas e se configuram seus projetos de vida é que podem assumir o compromisso de manter a base de recursos como um legado de um patrimônio histórico e cultural e como fonte de um potencial econômico para as futuras gerações.



6. Epílogo
O tempo está comprovando que a crise ambiental é, efetivamente, uma crise civilizatória e que o movimento agroecológico se inscreve no que podemos qualificar como uma grande transformação, que talvez leve a reverter o processo e as inércias que desembocaram no holocausto ecológico através da idéia do progresso e do crescimento sem limites. Para isso, será necessário construir uma racionalidade ambiental que incorpore um novo modelo de produção, fundado por princípios da produtividade neguentrópica. Isso haverá de conduzir a uma regularização da vida que reverta as inércias que estão levando a uma hiperurbanização. Para isso, a ciência e as técnicas da Agroecologia devem articular-se a uma nova teoria da produção e a novas práticas produtivas; à construção de um mundo no qual predomine o Ser das coisas sobre sua utilidade mercantil, onde se revalorize a terra e o trabalho e onde o ser humano possa reconhecer-se em seus saberes e no sentido de suas ações.
A Agroecologia poderia converter-se, assim, na ponta de lança para a cristalização de um paradigma de produtividade ecotecnológica. A Agroecologia será o arado para o cultivo de um futuro sustentável e haverá de articular-se a processos de transformação social que permitam passar da resistência à globalização à construção de um novo mundo.


7. Referências
ALLEGRETTI, M.H. Reservas extrativistas: uma proposta de desenvolvimento da floresta amazônica. Curitiba, 1987. (mimeo). ALTIERI, M.A. Agroecology: the scientific basis of alternative agriculture. Colorado: Westview Press, Boulder, 1987. BARRAU, J. Essaie d´Écologie des Méthamorphoses de l´Alimentation et des Fantasmes du Goût. Social Science Information, v. 18, n. 3, 1979. BOEGE, E. Selva extractiva y manejo del bosque natural: las selvas del Sureste de México. El Cotidiano, México, n. 48, p.28-34, 1992. GARCÍA, R. et al. Modernización en el Agro: ¿Ventajas Comparativas para Quién? El caso de los cultivos comerciales en El Bajío. México: IFIAS-UNRISD-CINVESTAV/IPN, 1988a. GARCÍA, R. et al. Deterioro ambiental y pobreza en la abundancia productiva. El caso de la Comarca Lagunera. México: IFIASCINVESTAV/IPN, 1988b. GEORGESCU-ROEGEN, N. The entropy law and the economic process. Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1971. GLIESSMAN, S.R. Agroecology: researching the ecological basis for Sustainable Agriculture, New York: Springer-Verlag, 1989. GONÇALVES, Carlos W.P. Geo-grafías: movimientos sociales, nuevas territorialidades y sustentabilidad. México: Siglo XXI, 2001. GUHA, Ramachandra. The Unquiet Woods. New Delhi: Oxford University Press, 1989. HEIDEGGER, M. What is Called Thinking. New York: Harper and Row, 1954/1968. LEFF, E. La dimensión cultural del manejo integrado, sustentable y sostenible de los recursos naturales. In: LEFF, E.; CARABIAS, J. (Coord.) Cultura y manejo sustentable de los recursos naturales. México: CIIH-UNAM/ Miguel Angel Porrúa/PNUMA Editores, 1993. LEFF, E. Ecología y capital. Racionalidad ambiental, democracia participativa y desarrollo sustentable. México: Siglo XXI/UNAM Editores, 1994. LEFF, E. Saber ambiental: sustentabilidad, racionalidad, complejidad, poder. México: Siglo XXI/UNAM/PNUMA, 1998. (Tercera edición, revisada y aumentada, 2002). LEFF, E. Saber ambiental. Petrópolis: Vozes, 2001. LEFF, E. Ecologia, capital e cultura. Blumenau: FURB Editora, 2000. SACHS, I. Bioconversión de la energía solar y aprovechamiento de los recursos renovables: hacia una nueva civilización industrial en los Trópicos. Comercio Exterior, México, v. 28, n. 1, 1976. SEVILLA, E. Agroecología y desarrollo rural sustentable: una propuesta desde Latinoamérica (mimeo). In: SARANDON, Santiago (Ed.) Agroecología: el camino para una agricultura sustentable. Rosario, 2000. (Escrito para el primer Manual argentino de agroecología). TOLEDO, V.M. et al. La producción rural en México: alternativas ecológicas. México: Fundación Universo Veinti



Notas
1N.T.: O autor se refere aos professores Víctor Manuel Toledo, Miguel A. Altieri, Stephen Gliessman e Eduardo Sevilla Guzmán.
2N.T.: A expressão produtividade neguentrópica deve ser entendida desde um ponto de vista de sistemas termodinamicamente abertos - como são os processos biológicos e naturais e o próprio planeta -, uma vez que, a rigor, o Segundo Princípio da Termodinâmica afirma que a entropia no universo é crescente.
3N.T.: A palavra crematística não tem tradução direta ao português. Trata-se da parte da ciência econômica que se ocupa dos preços, do estabelecimento de preços das mercadorias.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Texto 4 - Agroecology (...)


Agroecology, scaling and interdisciplinarity
Tommy Dalgaard (a),[*]*, Nicholas J. Hutchings (a), John R. Porter (b)

(a) Department of Agroecology, Danish Institute of Agricultural Sciences. P.O. Box 50. DK-8830 Tjele, Denmark.
(b) Department of Agricultural Sciences, The Royal Veterinary and A.gricultural University, Agrovej 10, DK-2630 Taastrup, Denmark.
Received 9 October 2001; received in revised form 11 April 2003; accepted 15 April 2003

Abstract
Based on a review of its history, its present structure and its objective in the future, agroecology is defined as an integrative discipline that includes elements from agronomy, ecology, sociology and economics. Agroecology's credentials as a separate scientific discipline were measured against the norms of science, defined by Robert King Merton (1973): communalism, universality, disinterestedness, originality and doubt. It is concluded that agroecology meets many of these norms and where it differs, it does so in a way that perhaps anticipates the manner and the direction in which the social position of science is changing.
Accepting agroecology as a separate scientific discipline, the two main issues with which it most contend were considered to be those of scaling and interdisciplinarity. Scaling is a problem because results of agroecological research are typically generated at small spatial scales whereas applications are frequently implemented in larger, administrative units. A frame-­work to convey information from science to decision-makers was proposed and tested in a case study of farm energy use. Interdisciplinarity is a problem because researchers from different disciplines see the world from different viewpoints, use different language, work at different locations and use different criteria to evaluate one another's work. Progress in this area is likely to be slow and driven by the need to justify the value of science to society.
02003 Elsevier B.Y. All rights reserved.

Keywords: Agroecology; Discipline; Food production systems; Hierarchy; Interdisciplinarity; Mertonian norms; Scale; Sustainability

1. Introduction
A major challenge facing the world is how a 21st century population of perhaps 9 billion people will feed themselves in a sustainable manner (Evans, 1998). During the 20th century, a doubled population was fed via the so-called Green Revolution, with its introduction of pesticides, synthetic fertilisers and new high-yielding cultivars. With the reduction in the proportion of hungering people from more than 50% of the total population after World War II to under 20% today (Grigg, 1993), the success of this revolution is indisputable. However, there are still malnourished people and the impacts of intensive agriculture on natural resource degradation and the environment may not be sustainable (Brown el at., 2000). The proposed role of agroecology is to facilitate the design and management of sustainable food production systems (Gliessman, 1998), and to investigate possible synergisms that can help alleviate the above problems (Altieri, 1990). However, agroecology has not fully matured as a scientific discipline. In this paper, the definition and scientific method of agroecology, its credentials as a scientific discipline and the challenges that face it are considered. The intention is to establish a general framework for the integration of information within agroecology, and for the communication of this information to the decision-makers targeted. Here, it is recognised that the rationale for agroecology is currently the need to develop sustainable systems of food production and this requires that knowledge must be effectively delivered to the people who are in a position to take appropriate action.

2. A history of agroecology
The term agroecology was in parallel proposed by German zoologists (Friederichs, 1930), and American crop physiologists (Hanson, 1939) as a synonym for the application of ecology within agriculture. At that time, ecologists had relatively narrow foci but with a trend towards a more integrative view of ecosystems. The early population ecology school of Herny Gleason investigated plant populations seen from the organism's perspective, thereby focusing on the hierarchical levels of the organism (Fig. 1). In contrast, the community ecology school of Frederic Clements viewed plant populations from the landscape perspective, thereby also including higher hierarchical levels than the organism (O'Neill et al., 1986). However, the true roots of agroecology probably lie in the school of process ecology as typified by Tansley (1935), whose worldview included both biotic entities and their environment (Fig. 1). It was from this school of process ecology that the agroecosystem concept emerged (Harper, 1974), and the foundations for modern agroecology were laid.







Fig. 1. The box symbolises the window of agroecology within food production systems. The viewpoints of the different schools of ecology are marked with eye signatures. The classical, scientific disciplines, where some are within the window of agroecology, are lined up in the right column, ordered in a hierarchy with the ‘hard’ disciplines at the bottom and the 'soft' disciplines at the top (Checkland, 1999).


2.1. "Hard" agroecology
According to Hecht (1995), the hard branch of agroecology (physical-analytical and natural science based) was initiated by works such as "Silent Spring" (Canson, 1964). "The Population Bomb" (Erlich, 1966), "Tragedy of the Commons" (Hardin, 1968) and "The Limits to Growth" (Meadows et al., 1972). The gloomy predictions of these and similar polemical writings have largely not come to pass, mainly because the speed of technological developments was underestimated. However, hard agroecology has shown that badly managed agriculture can lead to the degradation of agricu1tural land (Waldon et al., 1998), undesirable changes in semi-natural ecosystems (Lambert et al., 1990) and the depletion and pollution of natural resources (e.g. de Molenaar, 1990). Consequently, the focus of agricultural science has changed over the past 20-30 years from the maximisation of food and fibre production towards understanding the mechanisms linking costs (nutrient losses, loss of biodiversity and landscape degradation) to the benefits of agriculture (production, wealth generation and landscape maintenance). To understand these linkages required a combination of ecology, agronomy and economy (Reintjes el al., 1992) that may be considered "hard" agroecology. Such hard systems thinking, integrating various disciplines within natural sciences and economy, was significantly developed during the 1980s and 1990s, but remains the approach of an engineer or a classical economist (Checkland, 1999). This means that the resources entering and leaving agricultural systems are considered to be finite capital measured in physical or monetary units (Pearce, 1996). Furthermore, the position of the observer and scientist are thought of as external to the systems under study, which as we will see is not necessarily the case of soft agroecology.

2.2. "Soft” agroecology
There has been a debate whether hard system optimisation of agriculture alone could solve the problem of feeding an expanding world population. It is increasingly felt that this is not the case and that a much broader view of the Structure, function and role of agroecosystems is called for (Conway, 1987). Such a vision addresses hard issues such as the follows of energy and matter through agroecosystems but also includes the role of human and society, and the empowerment of citizens for developing their own food systems, and thereby feeding themselves. The exploration of the interaction between these human activity system and the hard agroecosystem is here defined as soft agroecology. According to this soft system thinking (Checkland, 1999), the capital entering and leaving agricultura1 systems is not only measured in physical units but also includes cultural knowledge, human experiences, potentials for technological development, etc. In contrast to hard capital, this soft capital is flexible (Pearce, 1996) and can even to some degree substitute hard capital. For example, knowledge of traditional farming systems inherited from their forefathers may help future farmers to save physical inputs (Gliessman, 1990a). However, a major problem is that the disciplines of rural sociology and economics, which deal with this area of soft agroecology, tend to operate at higher hierarchical levels than the hard disciplines of agronomy and ecology. This means that the soft disciplines often work at the farm or the regional level, while the hard disciplines often work at the plot or the field level. Furthermore, some soft systems researchers work as accomplices to the farmer, both giving and receiving knowledge, unlike their hard systems colleagues who work as external observers to the system under study. This is a consequence of the inclusion of interactions between humans within the window of agroecology (Fig. 1). They argue that all people dealing with agricultural production systems, including scientists, are intimately and subjectively involved in the activities of the growing of food and that to study this process is to become a part of it (Longino, 1990).

2.3. Where is agroecology now?
Recognising that agroecology is still developing, a survey of the published literature was conducted to establish its current status. The survey was conducted by interrogating electronic databases (CAB, 2001; AGRICOLA. 2001; ISIS-SCI, 2001; SSCI. 2001; ECONLIT, 2001), reading literature reviews (Carls, 1988, 1989, 1990) and visiting The Agroecology Library, University of California, Santa Cruz. In agreement with Carroll et at (1990), most references were related to natural sciences within the fields of agronomy and ecology (e.g. the work in Gliessman. 1990b). However, references were also found within the social sciences (e.g. Francis and King. 1997; Thomas and Kevan, 1993), economics (e.g. Allen, 1999; Rosset, 1996), or in combination of two or more areas (e.g. Edwards et al., 1993; Van Latesteijn, 1997). To quantify this distribution, the number of references to "agroecology" or "agro-ecology" (with a hyphen) in literature databases of natural sciences (ISIS-SCl, 2001), resulting in 94 references, social sciences (SSCI. 2001) and economics (ECONLIT. 2001) were compared. The majority (66%) of the references were only found in the natural science databases, with 13% only in social science database, and 5% only in economic literature. No references were in the databases from all three fields of science. The remaining references were found in two out of the three fields, with 2% in social and natural sciences, none in social sciences and economics, and 16% in a combination between natural sciences and economics (Fig. 2).
Compared to the total number of references in the searched databases, relatively few referred to agroecology. For example CAB (2001) refers to 1195 abstracts including the term agroecology out of the more than 2 million references in total. In comparison, more than 300,000 references referred to animal nutrition. Using the definition of agroecology stated in the next section, we could have redefined a number of additional and often earlier studies as agroecological, even though the authors chose not to describe them as such at the time. However, the point of the survey was not to determine what work was being done but rather whether the scientists involved considered the studies to be agroecological.



2.4. A definition of agroecology
In this paper, agroecology is defined as "the study of the interactions between plants, animals, humans and the environment within agricultural systems". Agroecology as a discipline therefore covers integrative studies within agronomy, ecology, sociology and economics (Fig. 1). Most authors acknowledge agroecology as a discipline of integration, but define it in other terms, for example as 'the application of ecological science to design and management of sustainable agroecosystems' (Gliessman, 1998). Thereby, the upper part of the window of agroecology in Fig. 1 is excluded. Clearly there is still not one, finally acknowledged definition of agroecology, indicating the ongoing development within the discipline.
The historical development of agroecology shows that it began originally as a part of crop physiology, agricultural zoology, and ecology but the term was adopted by a movement which wished to promote the development of sustainable agriculture through the integration of ideas and methods from other disciplines (Altieri, 1980). Now agroecology departments exist at a number of universities across the world but particularly in the USA and Europe. This implies that at least some people think that agroecology has made the transition from a proposition to a separate scientific discipline. In the next section, the case for considering agroecology as a separate scientific discipline is examined.

3. Agroecology as a separate, scientific discipline

3.1. A separate discipline
To be considered a separate discipline, agroecology must be distinguishable from existing disciplines. The argument is that agroecology is distinguished from its parental disciplines of agronomy, ecology and socio-economics by its integration between these disciplines and across scales. The agroecology-related studies found in the literature survey were characterised by an integrative approach, where information from single disciplines was collected and combined to solve problems at a higher scale. An additional indication that agroecology is a separate discipline is that the numbers of references to agroecology have increased in recent years, indicating that more scientists feel that their work lies sufficiently far from the existing scientific disciplines that an alternative term is necessary.

3.2. A scientific discipline
The assessment of agroecology as a scientific discipline was made using the norms of science as defined by the sociologist Robert King Merton (Merton, 1973). This approach was inspired by a recent attempt by the physicist John Ziman (Ziman, 2000) to define science in terms of what it is and what it means.
The first Mertonian norm of science is communalism, meaning that the outcomes of academic science are delivered to the public in the broadest sense, including other scientific colleagues and the wider public. Scientists differ in the weight they assign to the importance of these dissemination routes. These can vary from scientific papers in specialist journals to popular television programmes. Agroecology values communalism. It is probably the case that many agroecologists place as much emphasis on sharing results with society as with their scientific colleagues.
The second norm is that science should be universal and open to contributions from all, irrespective of race, gender; nationality, religion, etc. The only things that should wither, and be excluded from science, are ideas and theories not meeting with experimental verification or observation. Agroecologists would try to maintain the norm of universality in the Mertonian sense, as is evidenced by the papers refereed to in Section 2.3. However, universality in agroecology can often be very broad and may deliberately include other stakeholders, so that agroecology sometimes borders on being a socio-political movement. Agroecology faces a paradox when moving its focus to higher and thereby more aggregated levels of hierarchy (Figs. 1 and 3). At the highest hierarchical levels, local context can so swamp generality that research in, for example, rural sociology often ends as a series of case studies from which it is impossible to draw general conclusions.



Disinterestedness in the reporting of science is the third norm. Science reporting is unusual principally because of its impersonal manner, conveying an impression of non-prejudice and disinterestedness from the reported work.. Thus, the impersonality and care taken in reporting science stems from the knowledge that results and conclusions are likely to be challenged by others. It is thus part of a scientist's duty to facilitate this examination in the interests of the wider scientific enterprise. With respect to disinterestedness, agroecology does not differ from any other scientific discipline. Thus, experiments are reported, models can be verified, and social and economic analyses are sometimes but not always repeatable. An important interaction between these norms is that the commuona1ism of science acts as a control on science's disinterestedness (Ziman, 2000) - the value of an objective scientific observation or experiment assessed via the social process of peer review. Thus, science and agroecology are disinterested attempts to search for objective truths that are paradoxically mediated by socially constructed controls and evaluation processes.
Originality is the fourth norm. The tried and tested route to making an original scientific contribution, in the sense of a 'new' piece of knowledge, is to plough the furrow ever deeper. Thus, it is a rational scientific response to focus on ever more detail in the hope of developing a fragment of the scientific story for oneself. In supplement, agroecology's originality also stems from synthesis as well as from thinking outside the commonly accepted thesis of the existing knowledge base. Marching under the twin banners of synthesis and interdisciplinarity, agroecology, in line with discip1ines like anthropology, psychology and sociology, is at odds with what is commonly termed 'basic', natural research with its clear defined boundaries for research, theoretical framework and sense of coherence. However, science is perhaps moving towards the agroecological model, where the constructed and the objective aspects of science are both recognized. For example, disciplines such as climatology and some aspects of geosciences appear to becoming more integrative and less reductionist. This trend is evident, for example, when the activities of humans are seen as within the system of study rather than external to it. An example would be the role that human activities play in land use change or as drivers of biogeochemical processes such as the global carbon and nitrogen cycles. Nowadays, these originally natural cycles cannot be studied and understood without understanding and integrating the human role. In this 'post-academic’ science (Ziman, 2000) the cultural and social context of science as a process of knowledge creation is explicit.
Doubt is the restraint on originality in science and its application, via scepticism, is the fifth Mertonian norm. This enters in at least two stages in the scientific process. New ideas and theories are evaluated against a sceptical starting point - the null hypothesis. Having successfully cleared this obstacle, a new piece of scientific knowledge is then subjected to further doubt by anonymons referees who act on behalf of the scientific community. In agroecology, the first of these steps sometimes differs from the above scientific norm. Some agroecological studies do not start with a classical null hypothesis but include semi-quantitative surveys, rapid rura1 assessments and studies closely linked to agricultural development. These can be and are subjected to the second level of doubt. However, no method of collecting data should preclude the need for an explicit underlying hypothesis, question or assumption that is being tested.
In summary, agroecology meets many of the Mer­tonian norms of science and where it differs it does so in a way that perhaps anticipates the manner and the direction in which the social position of science is changing. Having concluded this, the next two sections consider two of the main issues that face agroecologists; scale and interdisciplinarity (Marceau, 1999).

4. Scale
The issue of scale means that there is a gap be­tween the scale at which most agroecological information is currently generated and the scale at which most decisions concerning agricultural systems are made (Dalgaard, 2001). The results of agroecological stud­ies, generated on the plot, field or farm level, cannot always readi1y be generalised to the regional, national or global level relevant for decision-makers. Because of this gap, the results are often misinterpreted or not used in the decision-making process (Lerland et al., 2000). Scaling issues have been addressed for many years in sciences such as physics (Crutchfield, 1994) or economics (Cropper and Oates, 1992). Until recently, there has been relatively little focus on methods to convey information between scales in the environmental sciences of ecology (Rastetter et al., 1992) or agronomy (Bietkens et al., 2000; Stein et al., 2001), although within theoretical ecology there are some ref­erences from the 1970s and 1980s (e.g. O'Neill et al., 1986). Consequently, agroecologists tend to use scal­ing procedures that are too simple (Grace et al., 1997) and that are poorly suited to global problems e.g. green house gas emissions (Flavin and Dunn, 1998). How­ever, recent advances in scaling have responded to the need to translate environmental and socio-economic indicators from the scale of observation or collection to that of individual operator or national policy. This has led to several new statistical developments, and the application of geostatistics in particular (Riley, 200 1).

4.1. Hierarchy and scale
Shown below are the classical examples of the hierarchy within natural (1) or agricultural systems (2, 3) (Odum, 1971), where: the lower levels of organization or complexity are to the left, and the higher levels to the right:

1. cell ↔ organism ↔ population ↔ community ↔.ecosystem ↔landscape
2. plot ↔ field ↔farm ↔watershed ↔ region ↔ nation ↔ union ↔ globe
3. cell ↔ organ ↔ animal/plant ↔ herd/field ↔farm ↔ region

These hierarchies represents levels of organisational complexity ranked by category or class, and are the basic structural units of the system investigated (Whyte et al., 1969). Often hierarchical levels are nested, so that high level units consist of lower level units (Fresco, 1995: Fig. 3). The boundary between hierarchical levels may be visible, such as the skin of an organism or the shoreline of a lake, or intangible in the case of for instance of populations and species. There are two dimensions of scale: spatial and temporal (Fig. 3). Consequently, the term scale relates to space and time period (e.g. a regional scale study of a 100 km2 area in 4 years). In this paper, the colloquial definition of scale is used (Curan eI 31., 1997), meaning that large scale studies cover large areas and/or time spans and small scale studies the reverse.

4.2. Linear, non-linear and hierarchical scaling
Even though hierarchies and scales are connected, so that high level hierarchies are normally studied on larger temporal and spatial scales, they are not synonymous (Allen and Hoekstra, 1992; Fig. 3). The range over which a single level in a hierarchy can extend has consequences for describing the behaviour of higher hierarchical levels because there may be scale-dependent processes present within one or more levels of. hierarchy.
For example the total diesel fuel use Ftotal (I) can be calculated at the hierarchical level of the field (Eq. (1)), and aggregated to the farm level (Eq. (2)). In this very simplified example, derived from the Dalgaard et al. (2001) model, Fn. is the average fuel use per ha on field n, An the field area in ha, and N is the number of fields on the farm.

Ftotal = FnAn (1)

N
F total = ∑ FnAn (2)
n=1

With a linear scaling procedure (also called simple scaling, Grace et al., 1997), Fn. is constant, e.g. Fn = 100 l ha-1 for all fields, and the fuel use is an identi­cal, linear function of both field and farm area. With a non-linear scaling procedure, Fn is a non-linear function of the field area. For example, if Fn = 103 An-An2, when An <> 100 I ha-1, whereas if An > 3ha, Fn < total =" ∑" n="1">























4.3. Framework of hierarchy and scale – an example
To cross the barrier of scale, a general framework: based upon the classical method of natural sciences, involving observation, hypothesis and test is proposed (Table 2). Within this framework, which here is posed for a simplified case that assumes one uniform decision-maker, specific linear, non-1inear or hierarchical scaling functions may be explored and used to support decision-making (Bierkens et al., 2000). In the following, an application of this simplified framework is illustrated with a simple example, with one group of decision-makers. However, in reality there are often many different actors, stakeholders and decision-makers in many hierarchies and scales, making application of the framework more complicated. In the present example, the criteria of the framework of hierarchy and scale are indicated with numbers in brackets. The targeted decision-makers were Danish politicians who after the Rio-Conference in 1992 demanded information on how agriculture could contribute to reduce the Danish energy use and greenhouse gas emissions by the promised 20%. Specifically, they wanted to know whether three different scenarios for conversion to organic farming might help to reduce the energy use (Bichel Committee, 1999). The time scale was a 12-year period (Danish Ministry of Environment and Energy, 1995), and the spatial scale was the 27,000 km2 agricultural area of Denmark (criteria 1 in Table 2). As the existing figures on energy use were sampled on the field and animal housing level (criteria 2), the question was how to upscale these data to the national level. The simplest option would have been a linear scaling procedure, where the average energy uses for different field crops and livestock housings is multiplied with national crop and livestock figures (criteria 3). However, because of scale dependent non-linearities and significant emerging factors, a linear scaling procedure was too simple for the upscaling (criteria 4). For reasons discussed in section a non-linear scaling procedure (criteria 3) was also too simple to predict fuel use (criteria 4), and a hierarchical scaling procedure was needed (criteria 3). In this case, a two-step application of the hierarchy-scale framework was tested. Step one was from the field to the farm level and step two was the final national level generalisation.

4.3.1. Step one
Measurements revealed a 47% deficiency in farm level fuel use compared to field level literature values linearly upscaled to the farm level (Refsgaard et al., 1998). and extended sampling on the field and farm level was initiated (criteria 4). A new model for calcu1ation of farm level fossil energy was made (Dalgaard et al, 2001) including fuel use as a function of the amount of inputs used, yield and the soil type on each field (criteria 3). Also, the above-mentioned emergent factors of fuel use for transport between fields and the farm and between the farm, fodder stocks and feedstuff businesses were included. Finally, the new model was verified (criteria 4) with samples of fuel use, F, and the Fobserved – Fsimulated difference was found to be insignificant.

4.3.2. Step two
The derived model was used in the final national level generalisation of the fossil energy use in the primary Danish agricultural sector. A linear scaling procedure was used, where the estimated average energy use for each crop and animal type was multiplied by the areas of crops and the namber of animals according to national agricultural statistics (criteria 3). The simulated and lineally upscaled energy use embedded in each of the accounted energy carriers was similar to the expected energy use according to national statistics, with a total difference of less than 3% (Dalgaard et al., 2002). In this case, it was concluded that the applied linear scaling procedure was sufficient for the step two generalisation (criteria 4).

5. Interdisciplinarity
Interdisciplinary means working across traditional disciplinary boundaries. For science in general, this can lead to creative breakthroughs, the identification of oversights, and provide more holistic solutions than work within single disciplines (Nissani, 1997). For agroecology, the specific issue is its continued growth from its roots in agriculture and ecology to include relevant aspects in sociology and economics. This development is desirable both because humans are an integral and important part of food producing systems and because it is necessary if decision-makers are to act on the basis of both ecological, social and economic principles (Wood, 1998).
Achieving interdisciplinarity will require the removal of the barriers to the flow of information between the disciplines relevant to agroecology. These barriers include mind set and communication, where science has developed into increasingly specialised disciplines, talking different languages and having different areas of interest. Ideally, one could call upon scientists with a more generalist background to assist in communication between specialists but institutional barriers within modern science mean there is no encouragement for such creatures to flourish. These barriers are both physical and organisational. The physical barrier is that scientists from the different disciplines that interact with agroecology are normally in different institutes or departments, often in different physical locations. With the developments in information technologies and infrastructures this barrier may be less than it once was but the lack of social interaction will continue to be an obstacle to collaboration. The organizational barrier relates to the way in which science reward researchers via the provision of resources and career advancement. This depends heavily on the publication of papers in peer-reviewed scientific journals. Here the researchers within agroecology are faced with new opportunities but also several problems. The challenge of scaling is encouraging the development of novel experimental methodologies, e.g. through the combined use of modelling, observational science and advanced statistical mapping procedures (Riley, 2001). However, for the more reductionist scientists, integration to higher hierarchical levels, e.g. from the field to the farm level, means fewer opportunities for controlled experiments, experiments of greater duration and more time spent communicating with scientists from other disciplines. The experiments are likely to provide results that are more difficult to generalise than is common for more reductionist disciplines. However, as discussed earlier, the norms and social position of science are changing as the presumption that science is sacrosanct withers and scientists increasingly have to argue their value to human endeavour. As agriculture is a mature science, compared to other disciplines such as biotechnology or microelectronics, agroecologists may find themselves in the forefront of this development.

6. Procedures and strategies to address agroecological questions at different scales
It is argued here that studies of how to cross the barriers of scaling and interdisciplinarity should be central issues for future agroecological research projects. For soil sciences, Bouma (1997) drew similar conclusions and appealed for new methods to deal with the issues and proposed a seven-step procedure for research in sustainable management of agricultural soils (Bouma et al., 1998). This procedure was found useful to address agroecological questions (Wagenet, 1998) but problems were encountered in integrating socio-economic information and in the issues of hierarchy and scale (Dumanski et al., 1998). The framework presented here (Table 2) builds upon Bouma et al.'s (1998) procedure and corresponds to the application of the scientific method of natural sciences-observing, meassuring and interpreting - stressed in the introduction to the agroecology book by Carroll et al. (1990). The difference is that the framework presented here was extended to distinguish between hierarchy and scale in the form of the defined linear, non-linear or hierarchical scaling procedures. In addition, the present framework included a test (criteria 4) in the defined scaling procedure and an iterative exploration of scaling functions that proceeds until the error does not exceed a sensible threshold value (Table 2). To develop such scaling functions, comprehensive decision-support systems have been developed (Bierkens et al., 2000) but to date only methods to answer hard agroecological questions have been included, while the integration of information from the soft agroecological ones is not included. The framework of hierarchy and scale presented here is similarly bound to hard agroecology but provides a hint at a starting point for interdisciplinary research projects. This would typically be a common problem of sustainability, investigated by both soft and hard researchers, corresponding to the criteria l problem in the framework. However because the soft sciences do not produce pure quantitative results, it might not merely be a question of currency shifts - for example from the physical units of an agronomic study to the monetary units of an economical study (Squire and Gibson, 1998)- followed by the traditional sca1ing procedure of criteria 2-4. Instead, criteria 2-4 could be interpreted as a communicative process (Bawden, 1995), where statements regarding solutions to the common problem are compared at spatio-temporal scales of relevance for decisions.
One example where the resu1ts from soft and hard sciences differed, and interdisciplinary research would gain knowledge is illustrated in the recent debate concerning the possible benefits of introducing a "golden rice variety" (Schiermaier, 2001). In contrast to traditional varieties, the golden rice is genetically engineered to contain Vitamin A precursors, a deficiency of which causes blindness and other illnesses. One of the inventing plant scientists predicted the introduction of this new variety to solve the "unnecessary death and blindness of millions of poor every year" (Potrykus, 2001). However, nutritionists argue that Vitamin A can only be absorbed by the body if consumed with sufficient oils and fats, which is often lacking in many Third World diets, and socia1 scientists argue that some of the Vitamin A problem is caused by the social status of eating hulled, white rice, with a low Vitamin A content, and that better nutrition could as easily have been achieved by campaigning for the consumption of existing, more wholesome varieties of brown paddy rice (Schnapp and Schiermaier, 2001). This example illustrates that the potential effect of feeding malnourished people with golden rice varieties differs when seen from the perspective of the uni-disciplinary perspective of the plant scientist than from a perspective that also includes nutritional and social knowledge. Estimating consequences of conversion to organic farming is another subject where both ecological (Dalgaard et al., 1998), economic (Hansen et al., 2001), and social driving forces (Trewavas, 2001) are relevant to include. This is because conversion to organic farming is driven both by the ecological potential of this system compared to conventional fuming and by the socio-economic gains for farmers and the society.
A common feature of the problems encountered in the development of sustainable food production is the need for feedback mechanisms between the different research disciplines and between decision-makers and researchers. This is because the decisions to be made must take into account both the functioning of natural ecosystems and the response of humans acting either as individuals or as part of society. Consequently soft and hard science mechanisms interact with one another, and a dialectical approach (Levins and Lewontin, 1985), where both top-down and bottom-up viewpoints are valued, becomes fundamental for the iteratve integration of information from multiple disciplines.

7. Conclusions and perspectives
The current driving force for agroeco1ogy is the need to facilitate the development of more sustainable agricultural systems. This emphasis on sustainability is drawing agroecology up from its roots in agronomy and eco1ogy to include elements of both sociology and economics. This study found that agroecology can currently be defined as the study of interactions between plants, animals, humans and the environmemt within agricultural systems. One of its hallmarks is that it integrates between scientific disciplines and scales.
The first Green Revolution was achieved primarily through the development and application of technology. Whilst, successful in terms of food production, serious questions have been raised concerning the impact of these agricultural practices on the health of the cultivated land (Oldeman et al., 1991)_ Conway (1997) argued that a second Green Revolution is required. which is even more productive than the fist Green Revolution and even more "green" in terms of conserving natural resources and the environment. In addition to the productive and environmental aspects, the social and economic dimensions of agricu1tural systems must therefore also be considerad.
In recent years, significant progress has been made in understanding the issue of scaling and in the development of appropriate techniques. The barriers to interdisciplinarity are mainly cultural and political not technical, and lying deeply embedded in the way science has developed, these barriers present the major obstacle to the development of agroecology.

Acknowledgements
The authors wish to thank the ARLAS research project, and the Danish Research Councils for funding this work as part of the research project Agrar2000, from which this is paper no. 4. Tommy Dalgaard would like to thank Dr. Avaz Koocheki from Iran and Professors Steve Gliessman and Miguel Altieri from the USA for initial discussions during a study visit to The Agroecology Centre, University of California, Santa Cruz and to Chris Kjeldsen, Aalborg University, for his comments on the thesis presented in this paper. Finally, we thank the reviewers of the paper for their many useful comments, which helped significantly to improve our work.

References

[*] Corresponding author. Tel.: +45-8999-1732 - fax: +45-8999.1819.
E-mail address: tommy.dalgaard@agrsci.dk (T. Dalgaard).
URL: http://www.agrsci.dk/jbs/tda/TDAhomepage2002/tommy.html.
0167.8809/$ - see front matter © 2003 Elsevier B.V. All rights reserved.
doi: 10.1016/SO 167-8809(03)00l52-X