terça-feira, 14 de agosto de 2007

Fichamento de texto Maciel - 14/08/2007


Disciplina: Sistemas de Produção de Base Ecológica - Professor: Dr. Hélvio Debli Casalinho
Texto 1: Doutorando: Antonio Maciel B. Machado - Data: 14/8/2007
CAPRA, F. A teia da vida: Uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Editora Cultrix, 1996. p.46-55

Com o advento da física quântica, por volta dos anos 30 do século XX, cientistas construíram a teoria sistêmica baseados nas escolas da Psicologia, da Ecologia e da Biologia, onde termos como conexidade, relações e contextos passaram a ter uma nova objetivação epistemológica.
Como característica chave do pensamento sistêmico pode-se apresentar: a) a mudança das partes para o todo, onde cada organismo passa a ser visto como uma totalidade dentro de um grande sistema e não mais como parte isolada como na ciência cartesiana; b) o critério que diz respeito à capacidade do pensamento sistêmico de deslocar sua atenção de um lado para outro entre diferentes níveis sistêmicos. Com isso, diferentes níveis sistêmicos apresentam diferentes níveis de complexidade. Essas propriedades, dentro de um determinado nível, são chamadas de “emergentes”.
Ainda sobre o primeiro critério o autor afirma que “as propriedades das partes não são propriedades intrínsecas, mas só podem ser entendidas dentro do contexto do todo maior”. Dessa forma, o pensamento sistêmico é chamado de “contextual”, pois considera o contexto ambiental em suas explicações. Em cada contexto os objetos são vistos como redes de relações embutidas dentro de redes cada vez mais complexas.
A visão de redes interconectadas de concepções sem fundamentos ou alicerces mais gerais foi formalizada pelo físico Geoffrey Chew, na década de 70. Com essa perspectiva, todo o universo material é visto e entendido como uma grande teia, sem que suas propriedades possam ser encaradas como fundamentais e sim como propriedades interconectadas. Esse raciocínio passa a valer também, do ponto de vista epistemológico, para as diferentes ciências que compõem o saber ambiental. Tanto a física, a química, a biologia, a ecologia, a psicologia, e demais ciências, pertencem a um nível sistêmico, porém sem que uma seja mais importante do que outra. Essa visão epistemológica de redes de relações foi trabalhada por Werner Heisenberg. Para ele, “o que observamos não é a natureza em si, mas a natureza exposta ao nosso método de questionamento”. Por isso, a ciência epistêmica se caracteriza por ser “o método de questionamento”, tornando-se parte integral das teorias científicas.
Além do contexto, outro fio importante na ciência sistêmica é o “pensamento processual”. Dessa forma, “toda estrutura é vista como a manifestação de processos subjacentes”. Para o biólogo vianense Ludwig von Bertalanffy, nos anos 30, todo pensamento sistêmico é sempre um pensamento processual. A partir dele, Claude Bernard aprimorou o conceito de “homeostase”, como mecanismo auto-regulador dos organismos que permite o estado de equilíbrio dinâmico. Bertalanffy formulou ainda uma nova teoria sobre “sistemas abertos”, depois sistematizou com as demais contribuições do pensamento sistêmico e da biologia organísmica uma “Teoria Geral dos Sistemas Vivos”. Por fim, substituiu os fundamentos mecanicistas pela visão holística.
Menos conhecido no ocidente, o médico, filósofo e economista russo Alexander Bogdanov, desenvolveu a teoria que ficou conhecida por “Tectologia” ou “ciência das estruturas”. Foi a primeira tentativa de se chegar a uma sistematização dos princípios de organização que operam em sistemas vivos e não vivos. Estudou os processos de regulação e auto-regulação. Quarenta anos mais tarde, outras contribuições de Norbert Wiener e Ross Ashby no campo da cibernética fizeram avançar essa teoria.
Grande contribuição da segunda lei da termodinâmica, de Sadi Carnot, de onde os sistemas físicos fechados se encaminharão no sentido da ordem para a desordem, ou seja, a “entropia” – medida da desordem. Para Bertalanffy, os sistemas vivos são abertos, ou seja, a entropia pode decrescer e as leis da termodinâmica podem não se aplicar. Somente em 70, com Ilya Prigogine, aprimorou a contradição de Bertalanffy com a teoria da auto-regulação de “estruturas dissipativas”.

Questão:
Segundo Fernando Rey, “Precisamente a complexidade pressupõe sistemas de onde a ordem e a desordem se integram dialeticamente na definição da qualidade de um sistema”. Entretanto, para Capra, na visão sistêmica a mudança das partes para o todo é uma das suas principais características epistemológicas.
Eu pergunto: Cabe, dessa forma, uma análise dialética marxista para se entender os fenômenos da natureza?

3 comentários:

Disciplina: Dinâmica da Agricultura Familiar e Espaço Rural disse...

1) Somente no século XX surgiu uma preocupação mais concreta com o meio ambiente. Entretanto, se não houver um esforço muito forte na educação das futuras gerações e uma maior conscientização das gerações atuais, não conseguiremos tornar viável uma nova concepção ou paradigma para uma sociedade cada vez mais globalizada. Pergunto: A teoria sistêmica ajuda ou dificulta a quebra dos velhos paradigmas?
Antônio Menezes

Disciplina: Dinâmica da Agricultura Familiar e Espaço Rural disse...

Porque a resistência da academia ao novo paradigma? O que poderia facilitar sua aceitação?

Aluno: João Pedro Zabaleta

Fernanda Novo disse...

Pergunta Fernanda:
Quando o autor se refere à Teoria Geral dos Sistemas traz uma emblemática questão, que ao fim, diz respeito às possibilidades futuras: "Quem estava certo, Darwin ou Carnot?" A meu ver, a questão ainda está posta e vários autores a trazem à tona.
Se assumimos que Carnot estava correto, a que ponto poderemos falar de sustentabilidade? E se não falarmos de sustentabilidade, enquanto uma visão capaz de "resolver" a atual crise, para onde rumareos? Seria a sustentabilidade uma forma utópica de buscarmos por algo melhor, e só isso simplesmente?